quinta-feira, 8 de abril de 2010

Carta aberta sobre o aumento da tarifa de ônibus

No dia 8 de março de 2010, antes de Joinville completar oficialmente mais um ano de existência, um presente às avessas foi dado à população, quando foi anunciado um novo aumento na tarifa de transporte coletivo, que deixaria de custar R$ 2,30 para custar R$ 2,65 (vale lembrar que é tática costumeira das empresas pedirem um valor acima do desejado, para fingirem que cederam pelo bem da população). Poderia parecer uma fala semelhante aos anúncios de aumentos anteriores. Porém, desta vez, existem alguns agravantes políticos:


1 – A atual concessão do serviço de transporte coletivo é ilegal. Fato admitido inclusive pelo atual prefeito quanto entrou com um processo em 1995 (então deputado estadual) contra o prefeito Wittch Freitag e seus antecessores, por conta da não existência de processo licitatório para o serviço.


2 – No início do ano passado, em reunião com a Frente de Luta Pelo Transporte Público, formada por diversas representações políticas, o prefeito Carlito Merss se comprometeu a não conceder o aumento imediato às empresas Gidion e Transtusa, até que fosse feito um estudo das planilhas de custo. Tal compromisso foi quebrado descaradamente dias depois, com a concessão do aumento. O mesmo compromisso foi firmado este ano: esperemos para ver se o prefeito quebrará duas vezes a mesma palavra, contudo, ao contrário do ditado popular, não esperemos sentados, pois fica mais difícil levantar depois de concedido o aumento.


3 – Após diversas manifestações populares que culminaram na ocupação da Câmara de Vereadores de Joinville, mais um acordo foi firmado entre a população e o poder público: da abertura dos canais de discussão sobre a questão do transporte coletivo. Porém, durante a realização da Conferência das Cidades, que elencaria pessoas para discutir certos assuntos entre eles o do transporte, o Movimento Passe Livre, bem como outros movimentos sociais, foi barrado através de legalismos excludentes, como a exigência de CNPJ para participar.


A eleição do prefeito Carlito Merss despertou esperanças em muitas pessoas que acreditavam na mudança das relações entre poder público e população. Podemos perceber que a mudança aconteceu, mas de forma demagógica e exclusivamente discursiva, visto que até agora nenhuma das reivindicações populares foram atendidas.


Assim, acreditamos que chegou o momento de radicalizar a luta em prol da transformação do transporte coletivo. Todas as aparentes vitórias que foram alcançadas durante o último ano, vieram através da mobilização das pessoas. Infelizmente, caímos no erro de acreditar na palavra do poder público diversas vezes, o que culminou na desmobilização da população, mas por outro lado, reforçou nossa convicção de que a mudança terá de partir de nós mesmos, pressionando o poder público até o mesmo atender a vontade popular. Se a vontade popular não é atendida, o poder público deixa de existir para se tornar um poder privado mascarado. Derrubemos a máscara então. Abaixo a exploração privada do transporte! Viva o poder popular! Viva a anarquia!


08 de abril de 2010

Pró-Coletivo Anarquista Organizado